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"Um dia virá em que só se terá um único pensamento:A EDUCAÇÃO,"(Nietzsche) "Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar".(Thiago de Melo)
Aula Expositiva: Realidade e Reflexões

Aula Expositiva: Realidade e Reflexões

Por: Leda Arminda Machado Barros

AULA EXPOSITIVA: REALIDADE E REFLEXÕES

A dimensão dialógica da aula expositiva que adotamos com maior freqüência pela falta de recursos didáticos, principalmente nas escolas públicas, tem o propósito de transformar essa técnica de ensino em uma atividade geradora tanto da reelaboração de conhecimentos quanto de sua produção.

Considerando que a aula dialógica favorece a compreensão dos determinantes sociais da educação _ porque permite o questionamento; ao mesmo tempo em que proporciona a aquisição de conhecimentos, favorece sua análise crítica, resultando na produção de novos conhecimentos; elimina a relação autoritária; valoriza a experiência e conhecimentos prévios do aluno; estimula o pensamento crítico dos alunos por meio de questionamentos e problematizações _ adotando a aula expositiva, o professor estará praticando uma educação transformadora.

Contudo, o que se observa na prática é que o professor dá as respostas ou acata um única resposta. Estabelecer respostas não provoca curiosidade nem produção de conhecimento; apenas reprodução.

O professor bem formado incentiva a curiosidade do aluno e desenvolve nos mesmos uma atitude científica. Para esse professor não existem perguntas sem sentido ou fora de propósito. O professor que não quer bloquear a curiosidade de seus alunos, mas sim incentivar a produção do conhecimento, jamais desconsidera uma pergunta. Ao perceber uma pergunta mal formulada o papel dele é ajudar o aluno a refazê-la, pois essa atitude é “ensinar a fazer”.

A aula expositiva deve ser descartada se esta for adotada de forma mecânica e desvinculada da prática social, produzindo uma postura autoritária do professor e inibição da participação do aluno. Professores com atitudes como esta tornarão a aula autoritária, monótona e desinteressante, seja ela expositiva ou não; enquanto que professores com atitude crítica mostram-se capazes de levar seus alunos a reelaborar ou produzir conhecimentos.

A abordagem do conteúdo, seja qual for a técnica escolhida, tem o poder de estimular a atividade e a iniciativa do aluno; favorece o diálogo entre professor e aluno, e dos alunos entre si; e considera os interesses e experiências dos alunos sem desviar-se da sistematização lógica dos conteúdos previstos.

Não há como fugir da aula expositiva. Na nossa prática fazemos também uso da exposição oral aliada ao uso de materiais escritos, audiovisuais e lúdicos, para que o aluno possa realizar seus estudos de maneira prazerosa e eficaz. Assim, inserimos dinâmicas para chamar a atenção do aluno com atividades voltadas para o seu dia-a-dia relacionadas com o conteúdo. Adotamos, então, um misto de tendências que, com certeza, só enriquecem nosso trabalho.

Para se obter êxito quanto à abordagem do conteúdo, o professor deve propor aos alunos o desenvolvimento de alguma atividade, como seminários e debates, para eles colocarem em prática o conhecimento elaborado. Desse modo, o aluno usa sua criatividade e torna-se protagonista do conhecimento.

Todavia, algumas vezes, o professor se encontra desestimulado em propor este tipo de atividade quando lida com uma turma desinteressada e que não ouve ouve os comandos das atividades propostas.

Na verdade, o que está por trás desta postura do aluno é sua baixa auto-estima. Quando paramos para analisar a referida turma, percebemos que a maioria dos alunos são repetentes; ou são filhos de pais problemáticos ou separados; ou passam por grandes necessidades materiais em casa, entre outros problemas.

Isso tudo resulta numa grande falta de interesse no aluno. Ele pensa que não vai adiantar ler a atividade, pois não vai entender nada. Daí o porquê de alguns alunos olharem o comando no quadro e, sem terem lido, gritarem logo: Não entendi nada!

Ele desacredita em si mesmo. Acha-se incapaz de entender e realizar a atividade proposta. Percebe, então, que ficará excluído por não participar como os colegas que estão concentrados ao lado tendo toda a atenção da professora. Começa, então, a andar, conversar, chamar o colega do fundo, jogar bolinhas de papel, pedir para beber água ou ir ao banheiro. Chega até mesmo, quando a atividade é em grupo, a ficar sozinho, esperando que o professor o conduza.

Todas as posturas citadas acima são típicas de quem precisa chamar a atenção. Na sua linguagem corporal exclama: Ei professor! Estou aqui!

Nós, professores empenhados em “passar o conteúdo”, brigamos com aquele aluno, mandamos calar a boca, perdemos a paciência e o encaminhamos à direção, rotulamos aquele grupinho como o da bagunça; e não paramos para analisar o motivo do desinteresse.

Talvez o grande número de alunos em sala faz com que o professor não dê importância àqueles “desinteressados”. Volta-se com maior atenção aos que sempre participam e opinam: aos “bons” alunos. Verifica-se, assim, a exclusão dos demais.

Escrevendo este texto me pergunto: Bons alunos em quê? Sei que todos os alunos são bons em algum aspecto ou em vários aspectos.

Talvez a correria, a falta de tempo; a sobrecarga para preparar aulas, elaborar e corrigir atividades, faz com que deixemos de refletir. E por essa falha, aquele “grupinho da bagunça” segue o ano sendo cada vez mais taxado pelos professores nas reuniões ,nos corredores da escola como candidato à reprovação.

Desse modo, o professor que não tem problema com estes alunos passa a ter um olhar estigmatizante sobre eles. E então aqueles tornam-se de fato reprovados.

O aluno reprova ou foi reprovado?

Penso, reflito e volto a pensar. Formo opiniões e depois volto atrás. Não há um única resposta. Você tem a resposta?


O importante é, sobretudo, nos permitir a estar sempre questionando a nossa prática e trocando idéias para estarmos renovados. O homem se renova a cada instante de vida. Como lidamos com a formação dele, precisamos acompanhar o seu ritmo.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

FREYRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo, Paz e Terra, 1996.

LIBÂNEO, J.C. Organização e Gestão da Escola – teoria e prática. Editora do Autor, Goiânia, 2000.

RODRIGUES, Cleide Aparecida Carvalho. Teoria da Educação (Apostila da disciplina Conceitos Básicos da Educação do curso de pós-graduação a distância Metodologia do Ensino Fundamental da UFG). Acesso: março a abril de 2008.

Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Sou graduada em Letras pela UEG/Formosa e especializei-me em Gestão Educacional também na UEG/Formosa.

Atualmente estou cursando a distância, pela UFG, a pós-graduação lato sensu em Metodologia do Ensino Fundamental. Sou professora efetiva da Secretaria de Educação do DF, ministrando aulas de português e inglês.

Ao cursar a pós-graduação lato sensu em Gestão Educacional tomei gosto pela pesquisa. Tive, então, a oportunidade de relatar no trabalho final da minha especialização algumas das vivências registradas na Comunidade Kalunga do Vão de Almas, o que culminou na monografia: Leitura do Povo Kalunga do Vão de Almas: Memória, Educação e Cultura

Repensando a Educação

Repensando a Educação

Por: Leda Arminda Machado Barros

REPENSANDO A EDUCAÇÃO


Estudar a História da Educação nos faz refletir e instrumentalizar conhecimentos de mudanças sociais para que estes possam ser incorporados dentro da nossa realidade. É repensando a trajetória do ensino que poderemos reformular passos que podem direcionar a formação de cidadania.

Através do estudo dos períodos anteriores podemos ter uma visão mais global da educação: Percebemos, então, a serviço de quem a educação está e qual ideologia que a guia, para posteriormente fazermos as revisões, as críticas que nos ajudam a modificar a realidade educacional.

Uma das contribuições desse pensar é o entendimento de como o homem desenvolveu sua vida e organizou suas formas de socializar o conhecimento, pois a partir deste entendimento poderemos avançar na compreensão dos comportamentos que assumimos na orientação do nosso trabalho educativo, dando sentido às nossas ações e criando condições para assumir a nossa participação e autoria neste percurso.

Devemos sempre fazer um estudo crítico para sermos mais conscientes em relação ao futuro. É fundamental que conheçamos as práticas educativas ao longo da história para que tenhamos um posicionamento atuante. A reflexão fornece dados para entender o caminho percorrido pela sociedade e verificar outras possibilidades que poderiam ter sido adotadas. Além, é claro, de nos esclarecer sobre o presente e nos tornar mais conscientes na condução do futuro.

Conhecendo mais profundamente as raízes do nosso sistema poderemos, ao longo do nosso trabalho, formar cidadãos mais críticos, pois teremos base para mostrar aos nossos alunos a importância de sermos atuantes, não aceitando o que nos é imposto e lutando por melhores dias. É preciso ler as entrelinhas da educação para que possamos mudar o panorama educacional.

Nesta perspectiva, ser professor é ter capacidade de construir um mundo melhor através da formação que se processa neste ofício. E esta formação diz respeito à Cidadania. Construindo senso crítico em sala de aula, o professor está fazendo o aluno se perceber como ser atuante e capaz de interagir no seu contexto.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CAMPOS, Kátia de Oliveira. Aspectos Históricos da Educação no Brasil (Apostila da disciplina Aspectos Históricos da Educação no Brasil do curso de pós-graduação a distância em Metodologia do Ensino Fundamental da UFG). Acesso: agosto de 2008.



Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Sou graduada em Letras pela UEG/Formosa e especializei-me em Gestão Educacional também na UEG/Formosa.

Atualmente estou cursando a distância, pela UFG, a pós-graduação lato sensu em Metodologia do Ensino Fundamental. Sou professora efetiva da Secretaria de Educação do DF, ministrando aulas de português e inglês.

Ao cursar a pós-graduação lato sensu em Gestão Educacional tomei gosto pela pesquisa. Tive, então, a oportunidade de relatar no trabalho final da minha especialização algumas das vivências registradas na Comunidade Kalunga do Vão de Almas, o que culminou na monografia: Leitura do Povo Kalunga do Vão de Almas: Memória, Educação e Cultura

Avaliação e as Facetas do Ato de Educar

Avaliação e as Facetas do Ato de Educar

Por: Leda Arminda Machado Barros

AVALIAÇÃO E AS FACETAS DO ATO DE EDUCAR

O processo de avaliação abrange todas as facetas do ato de educar, entendendo-se por avaliação um processo mais amplo do que a simples aferição de conhecimentos constituídos pelos alunos em determinado momento de sua trajetória escolar. Deve ser considerado tanto o processo que o aluno desenvolve ao aprender como o produto alcançado.

A ação educativa pressupõe objetivos a serem atingidos. Como ensinar e aprender são processos intimamente relacionados, à medida que o professor propõe os objetivos de seu ensino, está também prevendo as competências e habilidades a serem alcançadas pelos alunos como resultado da aprendizagem.

Durante a realização das atividades de ensino e de aprendizagem, tanto professor quanto aluno devem dispor de informações precisas acerca das aprendizagens efetivadas ou ainda a serem desenvolvidas viabilizando o aperfeiçoamento do processo pedagógico, que requer uma avaliação voltada para a construção de resultados, em permanente sintonia com os objetivos de ensino, competência, habilidades, atitudes e valores requeridos e, por extensão, com os procedimentos didáticos utilizados.

Compreendida como um processo interativo, do qual deve participar toda a comunidade educativa (professores, alunos, pais, especialistas), a avaliação conduz à superação das concepções quantitativas e autoritárias do conhecimento, buscando a democratização do processo vivido, do produto alcançado e do julgamento de valor sobre o resultado pretendido e alcançado. Assim compreendida, a avaliação gera conseqüências positivas para a formação do autoconceito e do projeto de vida do aluno, contribuindo para o desenvolvimento das competências e das habilidades relativas ao aprender a ser.

Além disso, a avaliação da aprendizagem deve ter como um de seus propósitos subsidiar a prática dos professores, oferecendo diagnósticos significativos para a definição e a redefinição do trabalho escolar, podendo corrigir os rumos do processo educativo em curso.

Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Sou graduada em Letras pela UEG/Formosa e especializei-me em Gestão Educacional também na UEG/Formosa.

Atualmente estou cursando a distância, pela UFG, a pós-graduação lato sensu em Metodologia do Ensino Fundamental. Sou professora efetiva da Secretaria de Educação do DF, ministrando aulas de português e inglês.

Ao cursar a pós-graduação lato sensu em Gestão Educacional tomei gosto pela pesquisa. Tive, então, a oportunidade de relatar no trabalho final da minha especialização algumas das vivências registradas na Comunidade Kalunga do Vão de Almas, o que culminou na monografia: Leitura do Povo Kalunga do Vão de Almas: Memória, Educação e Cultura

A Difícil (E Perigosa!) Missão De Ser Professor

A Difícil (E Perigosa!) Missão De Ser Professor

Por: André Luiz dos Santos

Atualmente, ser professor no Brasil é uma tarefa para poucos, é necessário mais que o dom de ensinar e o amor à profissão, que sob minha ótica, são requisitos fundamentais para exercer essa árdua, porém nobre profissão.


É necessário, também, uma dose de coragem, sim, coragem para encarar uma rede pública de ensino falida, com parcos recursos, baixa remuneração, condições precárias em muitas instalações, instituições localizadas em áreas de alto risco e até mesmo a violência, que já vitimou vários profissionais.


O professor é um formador de opinião, um mestre, tem em suas mãos uma grande responsabilidade, mas não é, e nem pode ser responsável pela educação de seus alunos...isso é papel da família, que muitas vezes, desestruturada, arruinada, em razão de vários fatores, acaba repassando essa atribuição à escola, fazendo com que o professor arque com esse ônus.


Ora, as Instituições de Ensino, sejam públicas ou privadas, já tem uma cota de responsabilidade na formação de um cidadão, colocar "nas costas" do professor essa responsabilidade que cabe aos pais,a família é tornar essa missão pesada e ingrata.


Cada professor vítima da violência de seus alunos, seja fatal ou não, é mais um vitimado pela sociedade corrompida, sem respeito a vida, sem moral, enfim, sem valores e que se impregnou e corrompeu a família, que é aonde tudo deveria começar, ou seja, uma família sem estrutura, refletirá as consequências no seio da sociedade, imagine várias famílias assim?


Cada jovem desestabilizado, pelas drogas, abusos ou violência cometidos contra ele, ou até mesmo por ser despreparado para a vida, se achando acima do bem e do mal, sem limites, é um perigo iminente e em potencial para os outros alunos e para os professores.


A educação tem que ser resgatada, não só através de um ensino de qualidade que é dever das Instituições, mas deve começar em casa.

Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Sou Bacharel em Direito, formado pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e atualmente estou fazendo Pós-Graduação em Docência Superior à distância pela UGF.

Uma Aula De Futuro

Uma Aula De Futuro

Por: Roberto Carlos Oliveira dos Santos

Sempre ouvimos dos nossos alunos frases que martelam a nossa consciência, algumas do tipo: "Professor(a), a sua aula está tão monótona que me dá um sono", ou ainda essa outra, "...Eu adoro você, más a sua matéria é muito chata". O mais importante para superar esse dilema é saber o que estamos fazendo para tirar essa impressão de que professor, estudo, aulas e escola são coisas "muito chatas". Quais os métodos que utilizamos para motivar os nossos alunos? Será que o desprezo que muitos estudantes demonstram pelo conhecimento é só culpa deles, ou será que está faltando uma melhor comunicação entre nós - um problema de linguagens conflitantes?

As gerações mais novas desenvolvem uma linguagem audiovisual que exige da nossa parte, novas estratégias, mais completas e desafiadoras. A aula expositiva e o texto impresso no papel, estão perdendo terreno para cultura Multimídia com as suas múltiplas tecnologias (Televisão, TV à cabo, Vídeo-Game, Computador, CD-Rom, etc) que, com todo universo de sons, imagens em movimento e cores, seduzem e encantam muito mais do que nós.

É preciso entender que o jovem de hoje não é melhor ou pior do que o jovem que fomos, o que está acontecendo nesse início de milênio, é que as formas de captação da informação e do conhecimento, tornaram-se mais dinâmicas e velozes. Nesse sentido, em nada adianta se estabelecer com a juventude, uma política de confronto ou de negação dos seus valores, isso somente faria de nós, reprodutores de um saber estacionado, desatualizado e por isso, inútil aos olhos deles.

Para construir aulas cada vez mais atraentes, dispomos de muitos recursos tecnológicos que devem ser conhecidos e valorizados, um exemplo disso, é o vasto desenvolvimento de programas educativos e enciclopédias temáticas. Com um mínimo de conhecimento em informática, podemos programar as nossas aulas no computador, inserindo imagens (fotos, gráficos, mapas) e textos em movimento, adicionando músicas e sons que podem envolver mais o espírito, tornando a aula mais emocionante e sedutora.

Aliados às Tecnologias da Informação e Comunicação, chamamos a atenção dos jovens para os nossos conteúdos, nas mesmas condições e igualdades à atenção que eles dispensam aos meios tecnológicos que estão em suas casas, e que, com certeza, eles gostariam de ver na sala-de-aula. Explore a Internet e descubra a enorme variedade de possibilidades pedagógicas que podemos utilizar, tais como: a disponibilização do material das nossas aulas no nosso Site, o incentivo para que os alunos criem Sites temáticos, a formação de grupos de estudos e pesquisa em chats de bate-papos virtuais (envolvendo professores, alunos e interessados) para discussão de velhos e novos paradigmas da ciência, enfim, movimentando-se em torno do mundo e encurtando as distâncias entre os que possuem sede de conhecimento.

Como Educadores, gozamos de credibilidade e somos referenciais para a sociedade. A juventude, apesar das aparências, confia em nós, e é por isso que devemos acreditar que nem tudo está perdido. Existe luz no fim do túnel. Pense nisso, pois o futuro já está aqui e ele exige respostas...

Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Mestrando do Programa de Pós Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Especialista em História e Cultura Afro-Brasileira. Graduado em História.

Andragogia: A Aprendizagem Dos Adultos

Andragogia: A Aprendizagem Dos Adultos

Por: Degmar Augusta da Silva

Andragogia: A aprendizagem dos adultos

Diferentemente de outros mamíferos, nascemos e crescemos com uma extrema dependência de nossos pais. Precisamos num primeiro momento de sermos alimentados, protegidos, vestidos e assim vai...

Crescemos, então, acostumados à dependência e já na fase escolar damos continuidade a ela, uma vez que aceitamos as imposições e autoridade dos professores.

Quando passamos para a adolescência, algumas mudanças podem ser percebidas e começamos então os questionamentos e uma certa rebeldia.

Atingimos a fase adulta e com ela a independência, já que os anos passados acumulam experiências de vida. Entretanto o processo educacional tradicional ignora tais mudanças e tende a nos ensinar como se ensina uma criança, ou seja, a mesma pedagogia usada em crianças é também usada em adultos.

Algumas diferenças em se educar crianças e adultos foram percebidas por Linderman em 1926, uma vez que na sua concepção nós aprendemos aquilo que praticamos ou fazemos.

Segundo Kelvin Miller estudantes adultos tem maior facilidade de memorização quando ouvem, vêm e fazem e ainda observou que os primeiros 15 minutos de uma aula ou palestra são os mais lembrados.

Partindo de tais estudos, temos que o estudante universitário deve receber um ensino diferenciado do estudante criança, uma vez que não são exatamente adultos, contudo já estão bem mais distantes da infância.

Portanto conceitos andragógicos devem ser inseridos nos currículos dos cursos superiores, entretanto devido o estudante universitário – o que ocorre normalmente é o individuo adentrar na universidade ainda bem jovem – ainda não ser totalmente um adulto, o abandono ou esquecimento dos métodos tradicionais de ensino não deve acontecer.

Acontece, contudo, que mudanças sempre requerem trabalho e o professor universitário necessita de um preparo para conseguir incorporá-las ao ensino superior de forma que o estudante universitário seja motivado a utilizar suas habilidades e desenvolva sua capacidade de auto-avaliarão e autocrítica de tal maneira que o futuro profissional seja alem de competente, um individuo seguro de suas habilidades profissionais

Diante de tais considerações - não diminuindo o trabalho exercido pelos professores que educam crianças, conclui-se que o papel do professor universitário não é dos mais fáceis de se exercer, uma vez que deve possuir a sensibilidade do saber mesclar pedagogia com andragogia e a responsabilidade de ensinar um jovem em formação e entregar um adulto ao mercado de trabalho. Entretanto a satisfação do resultado obtido será, por certo, sua maior recompensa.

Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Advogada há mais de dez anos, com vasta experiência e atuação em grandes empresas. Auditora interna ISO 9001/9002, com conhecimento e formação técnica no sistema de Gestão da qualidade. Atualmente se especializando em Docência em Ensino Superior e Gestão Ambiental de Empresas, com enfoque em responsabilidade socioambiental e desenvolvimento sustentável.
Editora chefe do Informativo Las hermanas, fundadora e membro do Las Hermanas( projeto social).
degtilili@hotmail.com
62-8437 9405

A Educação De Jovens E Adultos No Brasil, Educação Profissional E Integração

A Educação De Jovens E Adultos No Brasil, Educação Profissional E Integração

Por: Ivonete Sacramento

INTRODUÇÃO



A visão do analfabeto como um indivíduo alienado, incapaz, ignorante, à margem das decisões da sociedade e do poder construída ao longo da nossa história, continua influenciando a maneira pela qual os poderes públicos tratam a questão da educação de jovens e adultos, sua inclusão na sociedade e inserção no mundo do trabalho. São várias investidas em campanhas e programas que não tiveram êxito pelo seu caráter emergencial, e na maioria das vezes assistencialista.


Este texto pretende percorrer a trajetória da Educação de Jovens e Adultos no Brasil do Período Colonial aos nossos dias, analisando as ações do poder público para com esta modalidade de ensino.


Para realizar esta análise, utilizamos como fonte a Lei Federal nº 9.394/96, o Decreto 5.840/2006, o Documento Base PROEJA/2006. e alguns livros trabalhados pela professora Iole Macedo Vanin na Disciplina Educação Profissional, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos no Brasil: Princípios e Concepções Político-Pedagógicas numa Análise Sócio-Histórica, no curso de Especialização – CEPROEJA – CEFET-Ba.



A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS



A educação de jovens e adultos (EJA) no Brasil (...) é marcada pela descontinuidade e por tênues políticas públicas, insuficientes para dar conta da demanda potencial e do cumprimento do direito, nos termos estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. Essas políticas são, muitas vezes, resultantes de iniciativas individuais ou de grupos isolados, especialmente no âmbito da alfabetização, que se somam às iniciativas do Estado. (Documento base PROEJA-2005)



Nos períodos de Colônia e Império, os jesuítas dominaram a educação, com a intenção de difundir o catolicismo e dar educação à elite colonizadora, a quem se oferecia uma educação humanística. Esse domínio compactuava com os interesses do regime político que visava à manutenção da ordem. Na Europa, com o crescente movimento da Reforma, paralelo às idéias modernas inspiradas no Iluminismo, a Companhia de Jesus tratou de afastar as atividades criadoras presentes naquele continente e, transmitia, em seus ensinamentos no Brasil, os severos dogmas católicos, o que possibilitou a destruição de culturas inteiras.


Pode-se afirmar que, desde a chegada dos portugueses ao Brasil, o ensino do ler e escrever aos adultos indígenas, ao lado da catequese constituiu-se de uma ação prioritária no interior do processo de colonização. Embora os jesuítas (...) priorizassem a sua ação junto às crianças, os indígenas adultos foram também submetidos a uma intensa ação cultural e educacional. (Stephanou, 2005a).



Os filhos dos colonos e os mestiços também recebiam instruções dos jesuítas, através dos subprodutos das escolas de ordenação criadas pelo Padre Manoel da Nóbrega. No séc. XVIII, os jesuítas contavam com 17 colégios e seminários, 25 residências e 36 missões, além dos seminários menores e das escolas de alfabetização presentes em quase todo o território.


Os colégios de formação religiosa abrigavam os filhos da elite; freqüentavam também os que não queriam se tornar padres, mas que não tinham outra opção a não ser seguir as orientações jesuíticas, que evoluíram para o plano de estudos da Companhia de Jesus, que articulava um curso básico de Humanidades com um de Filosofia seguido por um de Teologia, que, a depender dos recursos, culminava com uma viagem de finalização à Europa.


Segundo Stephanou (2005b), posteriormente, os jesuítas, assim como os membros de outras ordens religiosas, também catequizaram e instruíram escravos. Essas experiências, no entanto, foram menos estudadas e pouco se sabe sobre as práticas desenvolvidas junto a esses sujeitos. Por outro lado, poucas parecem ter sido as experiências educacionais realizadas com mulheres adultas. Poucas sabiam, ao final do período colonial, ler e escrever


A expulsão dos jesuítas e as reformas feitas Pelo Marquês de Pombal, não puseram fim à influência jesuítica no setor educacional, visto que os novos mestres-escola e os preceptores da aristocracia rural foram formados pelos jesuítas; e os mestres leigos das aulas e escolas régias se mostraram incapazes de incorporar a modernidade que norteava a iniciativa pombalina. O processo de substituição dos educadores jesuítas durou treze anos, período em que a uniformidade de sua ação pedagógica foi substituída pela diversidade das disciplinas isoladas. De algum modo, a saída dos jesuítas estabeleceu o ensino público no Brasil.


O Estado passou a controlar financeira ideologicamente a educação, com recursos do Subsídio Literário, porém, teve que conviver com a perpetuação das características da educação colonial jesuítica, já que os novos mestres-escola e os preceptores da aristocracia rural haviam sido formados por jesuítas, e os mestres leigos das aulas e escolas régias não conseguiram acompanhar a modernidade que norteava a iniciativa pombalina.


Stephanou (2005c), relata que período que se segue à expulsão dos jesuítas parece não ter conhecido experiências sistemáticas e significativas em relação à alfabetização de adultos. A ênfase pombalina estava no ensino secundário, organizado através do sistema de aulas régias.


No Seminário de Olinda, fundado em 1800 pelo bispo de Olinda, José Joaquim de Azeredo Coutinho, os futuros padres estudavam matemática e ciências, com o objetivo de se tornarem mais responsáveis diante dos problemas da vida social e urbana do País.


Tanto no período jesuítico como no pombalino, a maioria da população não tem acesso à educação formal. O panorama educacional começou a mudar positivamente com a chegada da Corte Portuguesa, em 1808. Objetivando atender as expectativas de um governo imperial, foram criados vários cursos, tanto profissionalizantes em nível médio como em nível superior, bem como militares. Implantou-se o ensino superior – Curso de Cirurgia na Bahia e o Curso de Cirurgia e Anatomia no Rio de Janeiro (1808) e, mais tarde, o Curso de Medicina no Rio de Janeiro.


Estruturado em três níveis: primário – “escola de ler e escrever” -; secundário – “aulas régias” com o acréscimo de novas “cadeiras” – e superior, o ensino no Império era privilégio da elite política. As chamadas “camadas inferiores da sociedade” continuavam alijadas do processo educacional formal. Num país de 14 milhões de habitantes, com cerca de 85% de analfabetos, as iniciativas realizadas no interior do sistema formal eram inferiores, em números, às experiências domésticas e não-formais. “No caso dos adultos, pareciam se multiplicar, sobretudo no espaço urbano” (Stephanou, 2005d).


Por muitos séculos, o ensino no Brasil só se constitui objeto de atenção em seus decretos e leis. A Constituição de 1824, por exemplo, em seu tópico específico para a educação, inspirava um sistema nacional de educação, o que na prática tal fato não se efetivou. O método mútuo, adotado pela lei de outubro de 1827, refletia a desarmonia entre as necessidades educacionais e os objetivos propostos. Nele atuavam pessoas despreparadas revelando a insuficiência de professores, de escolas e de uma organização mínima para a educação nacional.


Durante todo o período imperial houve diversas discussões nas assembléias provinciais, acerca do modo como se dariam os processos de inserção das denominadas “classes inferiores” da sociedade nos processos formais de instrução.


O Ato Adicional de 1834 delegou a responsabilidade da educação básica às Províncias e reservou ao governo imperial os direitos sobre a educação das elites (no Rio de Janeiro e a educação de nível superior). Nessa estrutura, a exceção ficou com o Colégio Pedro II; este, sob a responsabilidade do poder central, deveria servir de modelo às escolas provinciais.


Grande parte das províncias formulou políticas de instrução para jovens e adultos. O documento da Instrução Pública do período faz várias alusões a aulas noturnas ou aulas para adultos em várias delas, a exemplo do Regimento das Escolas de Instrucção Primária em Pernambuco, 1885, que traz com detalhes a prescrições para o funcionamento das escolas destinadas a receber alunos maiores de quinze anos.


O ensino para adultos poderia ser ministrado pelos professores que se dispusessem a dar aulas noturnas de graça, fazendo parecer que este era uma missão; foi criada uma espécie de rede filantrópica das elites para a “regeneração” do povo. Pretendia-se, através da educação, civilizar as camadas populares, vistas como perigosas e degeneradas.


A Lei Saraiva, de 1881, que determinava eleições diretas, foi a primeira a colocar impedimentos, ao lado de outras restrições, como a de renda, aos votos dos analfabetos, reforçando a concepção do analfabeto como ignorante e incapaz.


Para José Honório Rodrigues (1965, apud Stephanou, 2005e), até o final do Império não se havia colocado em dúvida a capacidade do analfabeto, já que era essa a condição da maioria da população, inclusive das elites rurais. A partir desse momento começaram a circular discursos identificando o analfabeto à dependência e incompetência para justificar o veto ao voto do analfabeto.


As mobilizações da sociedade em torno da alfabetização de adultos foram abundantes nas primeiras décadas do século XX, em grande parte, geradas pela vergonha dos intelectuais, com o censo de 1890, que constatou que 80% da população brasileira era analfabeta. Surgiram as “ligas”, que se organizaram no interior, a exemplo da Liga Brasileira Contra o analfabetismo, em 1915, no Rio de Janeiro.


Entre as várias mobilizações, surgiu o método de desanalfabetização, desenvolvido por Abner de Brito, que propunha alfabetizar em sete lições. Havia uma disposição de vários segmentos da sociedade de mudar o quadro “vergonhoso”, visando a estabilidade da república. Todo o empenho para alfabetizar os adultos não evitou as críticas, como a de Carneiro Leão, que considerava a alfabetização uma arma perigosa, que poderia aumentar o que ele considerava anarquia social.


Paschoal Leme fez a primeira tentativa oficial de organizar o ensino Supletivo nas décadas de 30 e 40, ao mesmo tempo em que surgiram experiências extra-oficiais na alfabetização de adultos, como o uso da Literatura de Cordel e a carta de ABC.


A primeira Lei Orgânica do Ensino Primário (1946) trata da construção de material pedagógico apropriado, guia de leitura e alfabetização. O apelo para o engajamento voluntário e a falta de acúmulo de experiências que dessem suporte às ações governamentais, contribuíram para que a campanha não obtivesse êxito.


Os movimentos de educação e cultura popular nas décadas de 50 e 60, em sua grande maioria foram inspirados em Paulo Freire, utilizando seu método, que propunha uma educação dialógica que valorizasse a cultura popular e a utilização de temas geradores. Esses movimentos procuravam a conscientização, participação e transformação social, por entenderem que o analfabetismo é gerado por uma sociedade injusta e não igualitária.


E 1963, Paulo Freire integrou o grupo para a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização junto ao Ministério da Educação, processo interrompido pelo Golpe Militar, que reduziu a alfabetização ao processo de aprender a desenhar o nome. O Governo importou um modelo de alfabetização de adultos dos Estados Unidos, de caráter evangélico: a Cruzada ABC.


Com um conteúdo acrítico e material padronizado, além de não garantir a continuidade dos estudos, o Mobral– Movimento Brasileiro de Alfabetização - criado em 1967, foi mais um programa que fracassou.


Em 1985, na Nova República, nasceu a Fundação Educar, com o objetivo de acompanhar e supervisionar as instituições e secretarias que recebiam recursos para executar seus programas. Foi extinta em 1990, quando ocorreu um período de omissão do governo federal em relação às políticas de alfabetização de jovens e adultos. Contraditoriamente, a Constituição de 1988 estendeu o direito à educação para jovens e adultos.


"a educação é direito de todos e dever do Estado e da família..." (Artigo 205) e ainda, ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta garantida para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria. (Constituição Federal de 1988 - Artigo 208).



Em consonância com a Constituição, a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece que O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de ensino, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria”.(Artigo 4)


No seu artigo 37, refere-se à educação de jovens e adultos determinando que “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”.No inciso 1º, deixa clara a intenção de assegurar educação gratuita e de qualidade a esse segmento da população, respeitando a diversidade que nele se apresenta.


Em 1996 foi lançado o PAS - Programa de Alfabetização Solidária - polêmico por utilizar práticas superadas, como o assistencialismo. Em 1998, com o objetivo de atender às populações nas áreas de assentamento, foi fundado o Pronera - Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária - e, em 2003, o governo Lula lançou o programa Brasil Alfabetizado, que dá ênfase ao voluntariado, apostando na mobilização da sociedade para resolver o problema do analfabetismo.


Observamos claramente que as políticas para o combate ao analfabetismo e a educação de jovens e adultos, em plenos anos 90, ainda se valem de ações que nos passado levaram ao fracasso os programas implantados.



A EDUCAÇÃO PROFISSIONAL



A formação da força de trabalho no Brasil foi influenciada pelo modelo econômico implantado no período Colonial, que classificava os ofícios fundamentado “na relação entre trabalho escravo e atividade inerente aos homens livres” (Santos, 2000a).Assim, verificou-se o afastamento dos indivíduos livres das as atividades exercidas pelos escravos - que demandavam a força física e a utilização das mãos – como uma maneira de mostrar sua posição privilegiada na sociedade; o que nos mostra que o preconceito com o trabalho manual foi gerado mais pelo fator social do que pela natureza da atividade em si.


O ensino das profissões relativas a trabalhos manuais era feito pelas Corporações de Ofícios - originadas nos Colégios de Roma - mas aqui no Brasil não se desenrolava como na Europa, onde dava-se através da integração de homens livres e escravos nos locais de aprendizagem, recebendo o mesmo tipo de formação e sujeitos às mesmas normas de tratamento e conduta no seu interior.


Aqui no Brasil as Corporações tinham normas rígidas de funcionamento, para dificultar ao máximo, ou até impedir o ingresso de escravos. A discriminação era explícita, e a diferenciação acontecia em função do ensino oferecido, centrado única e exclusivamente nos ofícios exercidos pelos homens livres. As exigências para a admissão acentuavam ainda mais o caráter depreciativo característico de determinadas ocupações, reforçando “o embranquecimento dos ofícios, na medida em que os homens brancos e livres procuraram preservar para si algumas atividades manuais.” (Santos, 2000b).


Esse processo discriminatório não teve maiores conseqüências em relação à disponibilidade de mão-de-obra, visto que o modelo econômico do Brasil no Século XVIII estava fundado no “pacto colonial” – comércio exclusivo das colônias para suas metrópoles; a economia se fundamentava no modelo agro-exportador imposto pelos portugueses, que se opunham à implantação de estabelecimentos industriais.


Entre 1706 e 1766 indústrias de vários ramos foram fechadas, sendo que em 1785, o Alvará de 5 de janeiro obrigou o fechamento de todas as fábricas, exceto as tecelagens de fazendas grossas de algodão usadas nas roupas dos negros.


Essa destruição industrial causou grande impacto no desenvolvimento do ensino de profissões, que em sua maioria eram absorvidas pelo setor secundário da economia.


Só com a chegada de D. João VI, em janeiro de 1808, foi retomado o processo de desenvolvimento industrial, iniciando uma nova era para a aprendizagem profissional. A recusa de alguns grupos sociais em exercer algumas profissões, fechamento de indústrias e a proibição de se construir novas unidades causaram a escassez de mão-de-obra em algumas ocupações; e a solução encontrada foi ensinar ofícios às crianças e jovens sem opções na sociedade, como os órfãos e desvalidos, que eram internados na santa casa de Misericórdia , arsenais militares ou na Marinha e colocados para trabalhar como artífices, ficando livres após alguns anos para escolher onde trabalhar.


A primeira iniciativa de D. João VI para atender às demandas de mão-de-obra – o Colégio de Fábrica no Rio de Janeiro – tinha o caráter assistencialista, com a finalidade explícita de abrigar os órfãos vindos com a família real e sua comitiva. As instituições de ensino profissional instaladas no Brasil tiveram como referência o Colégio de Fábrica. A princípio o ensino era dado fora do estabelecimento, e, posteriormente passou a ser ministrado no seu interior. Mais tarde foi adicionado o ensino das “primeiras letras”, seguido de todo o ensino primário.


As mudanças políticas processadas a partir da fundação do Império em 1822 e a ampliação das forças produtivas, de certo modo, interferiram no modelo de aprendizagem de ofícios que se fixou mais tarde no país. Porém, o conteúdo discriminatório permaneceu.


Os ideais da Revolução Francesa serviram de inspiração para a busca de um novo modelo educacional para ser implantado na sociedade, mas o ensino de ofícios não foi contemplado com uma mudança de status; continuou a mentalidade conservadora construída no período colonial: destinado aos humildes, pobres e desvalidos, dando continuidade ao caráter discriminatório em relação às ocupações antes atribuídas somente aos escravos. A Comissão da Assembléia Constituinte, ao apresentar o Projeto de Constituição para o Império, em 1823, reforçava esse pensamento conservador no seu artigo 234, que estabelecia a criação de estabelecimentos para a catequese e a civilização dos índios, e a emancipação lenta dos negros e sua educação religiosa e industrial.


Assim, a Constituição de 1824 só tratava o ensino profissionalizante de forma indireta, dando-lhe, de forma implícita, uma nova orientação, inviabilizando inclusive o funcionamento das Corporações de Ofícios.


O Projeto de Lei sobre a Instrução Pública no Império do Brasil foi a primeira ação concreta visando um nova organização à aprendizagem de ofícios, estabelecendo uma lei para organizar o ensino público em todo país, em todos os níveis.


O Projeto foi aprovado em 1827, estruturando o ensino em 1º, 2º e 3º graus e Nível Superior com a inclusão e obrigatoriedade da aprendizagem de costura e bordado para as meninas, e do desenho para os meninos.


A estruturação do ensino no Brasil foi um dos fatores que propiciou a intensificação da organização das Sociedades Civis, dirigidas pelos nobres, fazendeiros, comerciantes e funcionários da burocracia estatal, visando amparar os órfãos e proporcionar a oferta de aprendizagem das artes e ofícios, caracterizando, novamente, um caráter assistencialista e discriminatório. As mais importantes sociedades foram as que criaram os Liceus. Os Liceus de Artes e Ofícios eram instituições não-estatais cuja atividade principal era proporcionar à população a formação de mão-de-obra para atuar no mercado de trabalho, utilizando-se dos recursos do Estado para sua manutenção. O Liceu do Rio de Janeiro foi fundado em 1858, mas seus cursos do não permitiam o acesso aos escravos.


Vale ressaltar que o ensino de ofícios era orientado pela ideologia fundamentada na contenção do desenvolvimento de ordens contrária à ordem política, com o objetivo de evitar movimentos semelhantes aos dos trabalhadores da Europa, questionando as relações entre capital e trabalho, configuradas após a Revolução Industrial.


Com a proclamação da República em 1889, foi incorporado ao modelo vigente, um novo elemento ideológico, introduzido pelos padres salesianos: o ensino profissional como oposição ao pecado.


Apesar de o Brasil estar centrado em um modelo econômico agro-exportador, eram grandes as pressões para a industrialização:


A ideologia do desenvolvimento baseado na industrialização passou a dominar o debates em torno de um projeto para o país, para atingir o progresso, a independência política e a emancipação econômica. (Santos, 2000c).



Esse pensamento se converteu em medidas educacionais através do presidente Nilo Peçanha, com o decreto 7.566, de 23 de setembro de 1909, que criou as Escolas de Aprendizes e Artífices. Esse sistema era mantido pelo Ministério da Agricultura, Comércio e Indústria, com a finalidade de oferecer à população ensino profissional primário gratuito. Entre os critérios de admissão, estava a matrícula preferencial párea os “desfavorecidos da fortuna”.


Apesar de amparadas por dispositivo legal, as Escolas de Aprendizes e Artífices foram implantadas em prédios inadequados e oficinas com precárias condições de funcionamento. A falta de qualificação dos professores e de especialização dos mestres de ofícios influenciou diretamente na baixa eficiência que a rede das escolas apresentou, visto que o poder público recrutou professores do ensino primário para suprir a falta de profissionais qualificados, produzindo resultados insatisfatórios.


Apesar da rede de Escolas de Aprendizes e Artífices ter se consolidado como um modelo de ensino técnico-profissional no Brasil, devem-se considerar os altos índices de evasão no início de seu funcionamento.


O Marechal Hermes da Fonseca, que assumiu a presidência em 1910, através de pronunciamento, deixou clara a sua disposição de dar continuidade ao trabalho de seu antecessor Nilo Peçanha.


Particular atenção dedicarei ao ensino técnico-profissional, artístico, industrial e agrícola que a par da parte propriamente prática e imediatamente utilitária, proporcione também, instrução de ordem ou cultura secundária, capaz de formar o espírito e o coração daqueles que amanhã serão homens e cidadãos.



No plano das idéias se observa uma propensão de articular formação geral com a profissional de nível secundário, nas Escolas de Aprendizes e Artífices, o que se concretizou a partir das mudanças sofridas ao longo dos governos seguintes.


Os anos 30 vão delimitar claramente as mudanças na ordem política, econômica e social do Brasil: os grupos que promoveram a Revolução de 1930 optaram pelo modelo de desenvolvimento baseado na industrialização em larga escala, substituindo o modelo agro-exportador, que sofrera grandes impactos devido à crise do capitalismo internacional, no final dos anos 20.


As altas taxas de crescimento industrial a partir da década de 30, provocou mudanças na estrutura do Estado, que teve de infundir uma nova forma de organização, o que fez com fossem adotadas novas estratégias para a preparação da força de trabalho: são orientadas políticas na área educacional objetivando atender às demandas da industrialização e do grande crescimento da população urbana, iniciando com a criação do Ministério da Educação e da Saúde em 1930, provocando uma autêntica reestruturação no sistema educacional brasileiro, com destaque para a educação profissional, que instituiu a Inspetoria do Ensino Profissional Técnico, ampliando os espaços para a consolidação da estrutura do ensino profissional no Brasil.


O ensino industrial foi de fundamental importância no processo de desenvolvimento verificado a partir de 1930. Foi decisivo na formação de mão-de-obra, podendo ser dividido em dois ramos: um abrangia a aprendizagem que estava sob controle patrona, ligado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI -, e outro sob a responsabilidade direta do Ministério da Educação e Saúde, constituído pelo ensino industrial básico.


O SENAI oferecia cursos de curta duração, preparando os aprendizes menores para se inserirem nas indústrias e cursos de formação continuada para trabalhadores não sujeitos à aprendizagem. O decreto 4.048/42 estabelecia que a sua manutenção seria feita pelos estabelecimentos industriais, obrigados a fazer uma contribuição mensal para as escolas de aprendizagem, e o 4.481/42, obrigava as empresas do ramo industrial a custear os cursos e manter em seus quadros 8% de menores aprendizes do total dos operários; a empresas deveriam também matriculá-los em suas escolas, com freqüência obrigatória. A prioridade era dada aos filhos de operários empregados nos estabelecimentos industriais; aos irmãos dos operários que atuavam nas indústrias; e aos órfãos cujos pais estiveram vinculados ao ramo industrial.


O sistema oficial foi estruturado por Gustavo Capanema, que estava à frente do Ministério da Educação e Saúde durante o Governo de Getúlio Vargas, período do Estado Novo. A Lei Orgânica do Ensino Industrial de 30 de janeiro de 1942 organizou o ensino industrial básico em dois ciclos: o fundamental, ministrado em três ou quatro anos, e também o ciclo básico, que abrangia o curso de mestria de dois anos; e o segundo ciclo, com duração de três a quatro anos, destinando-se à formação de técnicos industriais. Era oferecido nesse ciclo o curso de formação pedagógica, objetivando habilitar professores para lecionar no ramo industrial.


Apesar de ter aspectos positivos na sua organização, esse formato de ensino apresentava falhas, como a falta de flexibilidade entre os vários ramos do ensino profissional e entre estes e o ensino secundário, visto que os alunos formados nos cursos técnicos só podiam se inscrever nos vestibulares dos cursos relacionados diretamente aos estudos por eles realizados.


Com a queda do estado Novo os pioneiros da educação lutaram para a introduzir mudanças na Lei Orgânica do Ensino Industrial, buscando dois objetivos: equivalência entre os ramos de ensino profissional e secundário e a eliminação da dualidade, uma vez que este era marginalizado em relação à educação secundária desde o período colonial, já que o primeiro era destinado a formar indivíduos para o trabalho manual, e osegundo era destinado às elites.


Em 1950, a Lei 1.076 permitia aos estudantes que concluíssem o primeiro ciclo do ensino industrial, comercial e agrícola ingressarem no curso clássico ou científico, desde que prestassem exame das disciplinas não estudadas naqueles cursos e compreendidas no primeiro ciclo do secundário. Em 1953, a Lei 1.821 facultava o direito de ingressar em qualquer curso superior todos os alunos que tivessem concluído o ensino técnico em qualquer ramo – industrial, comercial ou agrícola – desde que prestassem exames de adaptação.


A lei 4.024/1961 permite o ingresso em qualquer curso do ensino superior para qualquer aluno que tivesse concluído o secundário ou profissional, visto que sua estrutura previa um modelo de ensino médio dividido em dois ciclos: o ginasial de quatro anos e o colegial de três anos, ambos compreendendo o ensino profissional. Essa Lei também estendeu ao SENAI a possibilidade de instituir a mesma organização que estava prevista no sistema público de ensino.


A equivalência estabelecida pela Lei não conseguiu superar a dualidade, já que continuaram duas redes de ensino, e o ensino secundário continuou com o privilégio de ser reconhecido socialmente. Permaneceu a tendência da sociedade de continuar colocando as funções ligadas ao trabalho manual em segundo plano. Dez anos depois, o governo militar substituiu a equivalência entre os ramos secundário e propedêutico pela habilitação profissional compulsória, com a aprovação da Lei 5.692/71.


Essa reforma não produziu nem a profissionalização nem o ensino propedêutico, visto o fracasso da política educacional imposta pelo regime militar. A falta de recursos materiais e humanos para a manutenção de uma extensa rede de escolas; a resistência dos empresários em admitir nos quadro de suas empresas os profissionais oriundos dos cursos de segundo grau foram alguns do fatores que contribuíram para o fracasso do ensino de segundo grau profissionalizante.


A dualidade se mantinha, só que seus determinantes estavam presentes nas estrutura de classes, na medida em que o trabalhador instrumental não chegava ao segundo grau:era excluído da escola muito antes, devido aos altos índices de evasão e repetência que caracterizavam e caracterizam a escola de primeiro grau, principalmente na população de baixa renda.


Quanto aos cursos técnico-industriais, promovidos pelas Escolas Industrais da rede federal, a partir de 1971 consolidou-se a desativação dos cursos industriais de primeiro ciclo, e se transformaram em Escolas Técnicas Federais, sendo que em algumas foram implantados os cursos superiores de engenharia, convertendo-se nos Centros Federais de Educação Tecnológica.


As Escolas Técnicas Federais, ao contrário do fracasso do ensino profissionalizante, tinham grande prestígio junto aos empresários. Grande parte dos técnicos formados por ela era absorvidos, quase que sem restrições, pelas grandes empresas privadas ou estatais. Pelo seu alto padrão de ensino, houve um grande crescimento nas matriculas, o que levou a serem postos anualmente no mercado de trabalho milhares de técnicos, provocando uma saturação do mesmo. Até o estágio anteriormente bem remunerado, ficou quase que impossível de se conseguir, mesmo aqueles sem ônus às empresas.


A década de 80 demarca uma nova era no quadro institucional brasileiro com a redemocratização do país, concretizada em 1985, com a saída dos militares do poder e a entrada de José Sarney, iniciando a transição democrática.


Até meados da década de 90 intensificaram-se os debates acerca das mudanças de rumo que deveriam ser dadas à educação. Esses debates foram feitos por grupos compostos pelas diversa correntes do pensamento educacional; a disputa entre eles girava em torno das concepções políticas que viessem a nortear a nova estrutura do então ensino de segundo grau e da educação profissional, cujo conteúdo a ser discutido estava expresso no Projeto de Lei de Diretrizes e Bases (LDB) que deu entrada no Congresso Nacional em 1988.


A LDB, aprovada sob o número 9.394 em 20 de dezembro de 1996 apresenta o ensino médio como a etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos e tem como uma das finalidades o aprofundamento do ensino fundamental, possibilitando aqueles que concluírem o curso ingressar no nível superior. A diretriz que prevê que “atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas” possibilita ao aluno que faz o ensino médio fazer a opção pela carreira de técnico-profissional.


O decreto 2.208/77 regula a educação profissional, que passa a se integrar ás diferentes formas de educação e trabalho, á ciência e à tecnologia, para atender ao aluno matriculado ou egresso do ensino básico, do nível superior, bem com os trabalhadores em geral. Dessa forma, a estrutura da educação profissional passa a se constituir do nível básico, que se destina à qualificação, requalificação e reprofissionalização de trabalhadores, independente da escolaridade prévia; do nível técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos egressos do ensino médio; e tecnológico, que corresponde aos cursos de nível superior na área tecnológica, destinados aos alunos oriundos do ensino médio e técnico. O ensino técnico passa a ter apenas o caráter de complementar o ensino médio, visto que a certificação, em qualquer habilitação, só será possível mediante a conclusão da etapa final da educação básica.


O aluno pode também cursar o ensino médio em um estabelecimento e, concomitantemente, cursar a parte específica da formação técnica em uma instituição que ofereça o ensino profissional, inclusive as Escolas Técnicas Federais, que, a partir da reforma, tendem a modificar seu perfil com a extinção da parte da formação geral oferecida nos seus cursos técnicos.


Embora proporcione uma articulação entre o ensino médio e a educação profissional, essa estrutura recompõe a dualidade e rompe com a equivalência, uma vez que legalmente, se configura como um sistema paralelo.


A educação profissional passou por modificações que procuraram se adequar ao desenvolvimento industrial brasileiro.


Vemos que as políticas para jovens e adultos e para o ensino profissionalizante não se diferenciam quanto ao seu caráter discriminatório, e, na maioria do tempo, assistencialista.


O decreto Federal nº 5.840, de 13 de julho de 2006, institui o Programa de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA, que “revela a decisão governamental de atender à demanda de jovens e adultos pela oferta de educação profissional técnica de nível médio, da qual, em geral, são excluídos, bem como, em muitas situações, do próprio ensino médio”. (Documento Base PROEJA, 2006).


O desafio imposto para a EJA na atualidade se constitui em reconhecer o direito do jovem/adulto de ser sujeito; mudar radicalmente a maneira como a EJA é concebida e praticada; buscar novas metodologias, considerando os interesses dos jovens e adultos; pensar novas formas de EJA articuladas com o mundo do trabalho; investir seriamente na formação de educadores; e renovar o currículo – interdisciplinar e transversal, entre outras ações.


Quanto à profissionalização, especificamente, qualificar a força de trabalho de acordo com as exigências das novas ocupações que se apresentam na produção, atendendo as complexidades que a tecnologia impõe no mundo de trabalho atual dentro de uma perspectiva humanista, inclusiva.


Os debates acerca do Programa estão acontecendo em todo Brasil, com vistas a efetivar sua implementação. O que se espera é que essa integração se realize, de forma que a EJA e o ensino profissionalizante passem a constituir um direito, e não um favor prestado em função da disposição dos governos, da sociedade ou dos empresários.





REFERÊNCIAS


_______. Congresso Nacional. Decreto 5.840, de 13 de julho de 2006.


_______. Ministério da Educação. Documento Base PROEJA. Brasília: MEC, 2006.


_______. Congresso Nacional. Lei Federal nº 9.394. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 20 de dezembro de 1996.


LOPES, Eliana Marta. 500 anos de educação no Brasil. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.


STEPHANOU, M; BASTOS, M.H.C. História e Memórias da Educação no Brasil-Século XX. Petrópolis, Vozes, 2005.

Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com

Perfil do Autor:

Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em EJA.Atuação em docência; elaboração desenvolvimento e acompanhamento de cursos;formação de professores.

Eu e meu marido...Amor por inteiro...
O Amor

O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de *dizer. Fala: parece que mente Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!'' Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

A educação da percepção empática

David Isaacs

Seria absurdo pensar que, nestas breves linhas, vai ser encontrada a solução do problema da educação da percepção empática, quando tantos sábios, durante tanto tempo, estiveram estudando o tema sem chegar a um acordo a respeito das conclusões operativas.

A maioria dos psicólogos está de acordo em que é necessário empatia, apreço positivo e calor humano nas relações com os demais. Mas não está claro como viver nem como ensinar a empatia. Algumas pessoas nascem com ela; outras, não. Aqui se trata de oferecer uma série de sugestões para ajudar os pais na educação de seus filhos. Não é um programa, mas sim, pontos em que se pode começar a luta de superação pessoal.

Inicialmente pode-se pensar em alguns esclarecimentos que convirá fazer ao adolescente:

- Nem todos somos iguais. Cada um raciocina de modo diverso frente a distintos estímulos. Portanto, não se trata de acreditar que outra pessoa vai sentir o mesmo que alguém em uma determinada situação. Este problema, de fato, continua existindo nas pessoas adultas. Por exemplo, algumas pessoas dizem: "isto não me incomoda, por que tem que incomodar o outro?".

- O que dizem ou o que fazem as pessoas não é necessariamente reflexo fiel de suas intenções ou sentimentos íntimos. Antes de considerar quais são os fatores que estão influenciando mais em uma situação, se trata de saber qual é a situação real, não o que fica refletido no comportamento aparente.

- É muito fácil ser simplista, crendo que há só uma causa para um determinado problema. Normalmente existe um conjunto de causas. Não se trata de aceitar a primeira causa, percebida como a única verdadeira.

- Em situações normais -não em casos atípicos-, talvez o mais importante para outro é saber que alguém se preocupa por ele, mas que, ao mesmo tempo, respeita sua intimidade.

- Por último, não se trata de chegar a compreender completamente. Isso jamais será possível. A dificuldade fica refletida na contestação de um pai à sua filha adolescente, depois de a filha lhe dizer que não o compreende: "Minha filha, como vou compreendê-la se nem sequer você se compreende a você mesma?".

Poderíamos resumir, dizendo que a compreensão que buscamos deve traduzir em uma ajuda para que o outro chegue a compreender a si próprio, o suficiente para pôr os meios, a fim de superar sua dificuldade ou empreender uma luta de melhora.

De todas as formas, devem ser considerados diversos tipos de fatores que podem ter influenciado nos sentimentos ou no comportamento de uma pessoa, para diagnosticar melhor o problema. Em relação a estes fatores, existe a tentação de perguntar diretamente ao outro: "o que há com você?" e, claro, na grande maioria dos casos a resposta é: -"Nada".

Pode haver influenciado na situação:

- algo que fez anteriormente. Pode existir uma relação estreita entre um estado de tristeza em um filho, por exemplo, e o haver colado em uma prova;

- algo que deixou de fazer. Por exemplo, a relação entre um estado de tristeza e não ter estudado para uma prova;

- algo que outra pessoa lhe fez. A relação entre o castigo do professor, por ter colado, e o estado de tristeza;

- algo que outro não fez;

- algo que pensou, viu ou sentiu ou escutou.

Damos alguns exemplos nesta relação para explicar o difícil que pode ser conseguir descobrir qual é o problema real ou quais são as causas do problema. Por exemplo, ao notar que um filho está triste, poderia ter lhe perguntado diretamente para descobrir qual era a causa. Talvez respondeu que havia sido porque o professor o havia castigado. Mas, realmente foi assim? Poderia ter sido também porque o professor descobriu-o colando, ou porque se deu conta de que devia ter estudado mais, ou porque algum companheiro havia zombado dele por ter colado, etc. A atuação do que quer ajudar será diferente em cada caso. Se o menino percebeu que não devia ter colado, tratar-se á de ajudá-lo a superar o desgosto, e a estudar mais. Mas se está triste porque foi descoberto pelo professor, a compreensão não deve apoiar este sentimento. A compreensão, portanto, não conduz necessariamente à aceitação do sentimento ou do comportamento do outro. A compreensão supõe ter descoberto o que realmente acontece ao outro, a seguir, de seu ponto de vista -portanto, aceitando-o tal como é-, buscar um caminho de melhora.

E como podemos desenvolver esta capacidade nos filhos? Ajudando-os a reconhecer os distintos sentimentos nos demais, e seus distintos comportamentos. Isto é, educando a sensibilidade. Na prática, significará uma série de perguntas tais, como: "Reparou que seu irmão está muito contente, aborrecido, triste, satisfeito, etc.? Por que será? Está certo? Que outras razões pode haver? Por que seu irmão haverá feito isso?, etc. Além disso, não só se trata de ajudar os filhos a compreenderem seus irmãos, mas também seus companheiros, seus professores e, inclusive, seus próprios pais. Falou-se muito que os pais têm que compreender seus filhos. Mas os filhos também têm que aprender a compreenderem seus pais. E isto é um papel importante de cada cônjuge com os filhos. Isto é, a mãe pode ajudar os filhos a compreenderem seu pai e vice-versa.

A comunicação da compreensão

Segundo o tipo de problema que tem o outro, será necessário: compreendê-lo e mostrar a compreensão; compreendê-lo e não atuar; mostrar preocupação por ele e não esforçar-se por compreendê-lo muito. Tratar-se-á de compreender e não atuar quando o filho é capaz de superar a dificuldade sem ajuda. Pode ser o caso de um menino que se desgostou por uma coisa sem importância e sabe que é consciente de que foi uma bobagem. Prestar excessiva atenção neste momento pode ser contraproducente, porque supõe exagerar algo que o filho quer esquecer rapidamente. Em outros casos, o filho pode superar o problema, mas necessita de um apoio afetivo; necessita saber que alguém está preocupado com ele. Portanto, tampouco se trata de perguntar demasiado. Assim, podemos distinguir entre compreender a pessoa, seus sentimentos e seu comportamento, e compreender o que necessita.

Aqui vamos centrar a atenção na necessidade de sentir-se compreendido. Existem numerosos estudos sobre técnicas de comunicação. Mas tampouco se trata de conseguir que nossos filhos sejam peritos na orientação de seus irmãos e de seus companheiros. Preferimos agora comentar brevemente alguns modos de atuar que podem facilitar o processo, sem pretender aperfeiçoar muito.

- Trata-se de mostrar que alguém compreendeu, não que alguém julgou. Portanto, haverá que cuidar do próprio modo de expressar-se. Trata-se de evitar expressões valorativas e tentar o uso de uma linguagem descritiva. O ser humano se sente compreendido quando a pessoa que o está escutando repete, às vezes com suas próprias palavras, o que explicou, o que contou, mas sem valorizar o conteúdo.

- Trata-se de ajudar o outro a resolver um problema. Portanto, haverá que evitar estabelecimentos predeterminados. O enfoque é: "Vamos ver o que podemos fazer". Não deve ser: "Isto é o que tem que ser feito".

- Para continuar a compreensão, também é necessário tempo e condições adequadas. Trata-se de mostrar afeto e atenção. Isto não pode ser feito adequadamente com interrupções -chamadas telefônicas, etc. Se um irmão maior quiser ajudar um irmão pequeno, certamente será melhor que saiam de casa para dar um passeio ou, pelo menos, que busquem um lugar onde não vai haver interrupções.

- Por último, trata-se de mostrar que um não está "por cima" do problema do outro. Isto é, fazer pensar que, ainda que um compreenda o problema do outro, jamais poderia ocorrer-lhe isso a si próprio. Isto seria uma atitude de superioridade que mostraria, entre outras coisas, a falta de capacidade de compreensão.

Por tudo o que dissemos, ficará claro que a virtude da compreensão é especialmente importante para os pais, mas também para os filhos, sobretudo adolescentes. Porque os filhos podem ser uma ajuda muito eficaz para seus pais, em relação a seus irmãos menores. Às vezes, é difícil para os pais compreenderem o que acontece com seus filhos. Em troca, entre eles se entendem "maravilhosamente". Reconhecer este fato é também compreender.

A compreensão dos demais começa com o esforço de tentar compreender-se a si próprio. Necessitamos estar lutando para superar nossos próprios preconceitos, para evitar sentimentos indignos ou desnecessários que obstaculizam nosso processo de melhora. Conhecendo nossas próprias fraquezas, se trata de evitar as circunstâncias que as provocam, ou pelo menos, preparar-se para não cair outra vez no mesmo sentimento ou no mesmo comportamento. Isto é saber retificar. A retificação pode ser aplicada a atos injustos realizados frente aos demais, mas saber retificar é um ato imprescindível para a compreensão de si próprio. Quando chegamos a reconhecer as principais causas de nossos estados de ânimo ou de nossos próprios comportamentos, é essa compreensão que dá força para buscar a ajuda necessária e voltar a começar.

Entretanto, nunca chegaremos a nos conhecer nem a nos compreender totalmente -muito menos, aos demais- porque o ser humano é um ser misterioso.


Do livro "A educação das virtudes humanas e sua avaliação", de David Isaacs.

RESENHA DO LIVRO:

PROFESSORA, SIM; TIA, NÃO: CARTAS A QUEM OUSA ENSINAR

Paulo Freire, desde o início de sua vida como educador, optou claramente por estar do lado dos oprimidos, pois conhecia de perto as injustiças sociais que se abatiam sobre a classe mais pobre. Foi pioneiro no Brasil, a partir de meados dos anos 60, na utilização de métodos revolucionários voltados para a alfabetização de adultos que, além de alfabetizá-los, também os politizavam. Paulo Freire foi exilado no Chile, onde continuou sua prática libertária de educação. Em 1980, retornou ao Brasil e deu continuidade às suas idéias de educação libertária e conscientizadora. Em maio de 1997, morreu vítima de um ataque cardíaco.

O autor inicia sua reflexão contando-nos sobre a dialética do pensar e explica como a retomada das reflexões sobre suas obras anteriores contribuiu para a escrita desta obra; como os atos de pensar e escrever não podem ser mecanizados nem dicotomizados, mas que existe uma solidariedade dialética entre um ato e outro, os quais formam o conjunto de saber o objeto pensado, construindo assim o conhecimento de dado assunto.

Posteriormente, o autor toma seu tema predileto, a alfabetização de adultos, pela qual lutou toda a sua vida, mostrando-nos como o analfabetismo é uma castração do ser humano como ser pensante; não é apenas um problema social, mas, na verdade, é uma violência contra o indivíduo. Freire enfatiza, com muita propriedade, que o analfabetismo castra o corpo consciente e falante de mulheres e homens, proibindo-os de ler e de escrever, limitando sua capacidade de fazer uma leitura do mundo e repensar sua própria leitura numa atividade reflexiva que o torne consciente de si mesmo e de sua participação no mundo.

As culturas letradas proíbem o analfabeto de participar da vida social e da assunção da sua plena cidadania e do crescimento e amadurecimento na construção do saber, pois a solidariedade dialética do ato de ler, de escrever e de re-ler, se bem assumida, nos leva a uma crescente capacidade criadora, e, quanto mais amadurecemos nesse movimento, mais pensadores críticos nos tornamos “do processo de conhecer, de ensinar, de aprender, de ler, de escrever, de estudar” (p. 8).

Freire continua sua reflexão sobre o ato de pensar e de escrever, enfatizando que o estudar é um profundo movimento solidário da dialética e nos introduz em um novo assunto, qual seja a polêmica temática Professora, sim; tia, não. Logo, esclarece sua intenção ao definir o que quer transmitir com suas reflexões: que aquele que ensina é também um aprendiz e que essa atividade é prazerosa, mas igualmente exigente de seriedade, de preparo científico, de preparo físico, emocional e afetivo. A atividade de ensinar também exige ousadia, pois requer envolvimento emocional; aprendemos com todo o corpo, com a emoção e com a razão e nunca podemos dicotomizar esses sentimentos. Pensar o aprendizado como uma ação que envolve emoções é uma ousadia, principalmente quando essas emoções ou esse amor levam à resistência contra a realidade social e política na qual vivem os “ensinantes-aprendizes”. O autor, então, descortina a questão que, aos olhos do senso comum, parece amorosa, qual seja tratar a professora de tia, mas, na verdade, esse tratamento esconde a ideologia da passividade do “ensinante-aprendiz”, pois resistir a uma política e uma realidade social angustiante e de sucateamento do ensino não é para seres passíveis, amorosos e parentais como a maioria das tias.

O autor defende com veemência que ensinar é uma tarefa que envolve militância e especificidade no seu cumprimento e que ser tia é viver uma relação de parentesco, e, por isso, nunca poderia ser uma profissão. Ensinar implica educar e vice-versa, e, para tanto, é necessária a “paixão do conhecer”, que nos envolve, como diz Freire, numa busca prazerosa, mas nada fácil.

Entretanto, não é intenção do autor, com essas afirmações, desvalorizar a tia, mas valorizar a professora, não lhe retirando aquilo que lhe é fundamental: sua responsabilidade profissional, que faz parte da exigência política de sua formação, esta em estado permanente. Concordamos com o autor quando faz essa reflexão, pois o termo “tias” carrega uma ideologia de “boas moças”, que não brigam, não resistem, não se rebelam, não fazem greve.

O autor chama a atenção para o fato de que as “ensinantes” são também “aprendizes”, porque, enquanto se ensina, se aprende, e que estas devem se definir sempre como professoras, desafiando-as a deixar o cômodo papel de tia e refletir sobre até que ponto querem deixar a comodidade que essa expressão carrega e assumirem-se como verdadeiras profissionais da educação.

Ressaltamos que, assim como Freire, também não concordarmos com o uso da expressão tia para designar uma professora, em função da questão político-ideológica que se esconde por trás do termo, mas reconhecemos que existem muitas professoras que são denominadas como tias e desenvolvem excelentes trabalhos, assim como existem aquelas que são consideradas professoras e, no entanto, não fazem jus ao título.

Neste sentido, enfatizamos que, seja qual for o sistema educacional vigente, reacionário ou democrático, sejamos sempre professoras, assumindo nosso papel profissional e nos posicionando política e eticamente na nossa função de ensinar, não nos esquecendo de ensinar, também, sobre cidadania a nossos alunos e a suas famílias.

O autor finaliza sua reflexão acerca da avaliação da prática da professora, que deve ser avaliada não para ser punida e, sim, para melhor se formar, ou seja, aprimorar a sua prática pedagógica. Entendemos que todo profissional deve ter sua prática avaliada constantemente. Prática não avaliada é fazer por fazer, fazer por costume, por cotidiano, sem consciência, e por isso mesmo atuação sem crítica e sem a prática do repensar.

O pensar crítico, o analisar, o repensar nos remetem ao início do texto, quando o autor defende a solidariedade dialética do ato de pensar, de escrever, de ler e de repensar. Na avaliação da nossa atuação profissional é necessária uma solidariedade dialética entre o exercício da teoria e da prática, uma releitura de nós mesmos e um repensar do nosso fazer cotidiano como “ensinantes-aprendizes”. A tarefa de ensinar-aprender requer militância, consciência e paixão pelo saber, profissionalismo e determinação do educador em não se deixar envolver nas sombras ideológicas que buscam minorar o seu papel diante de seus alunos e da educação de modo geral.

O autor aborda, ainda, um outro assunto interessante, quando assinala que as crianças não estão evadindo da escola, mas que, na verdade, as crianças são proibidas de estudar pela configuração social que temos e que alija os pobres do processo de conhecimento e crescimento. As crianças pertencentes às classes menos favorecidas não evadem da escola, e sim são proibidas de estudar por causa da fome, da miséria em que vivem, da falta de escolas e de educadores de qualidade, da distância em que se encontram da escola, da necessidade de trabalhar, da falta de moradia, da estrutura social que favorece poucos e exclui muitos, não apenas no Brasil, mas no mundo.

O texto abordado é uma obra-prima e leva à reflexão profunda sobre vários temas: analfabetismo, política educacional, estrutura social, papel profissional, condição da criança e do jovem em países pobres. Paulo Freire é genuíno em sua escrita, porque dedicou toda sua vida não apenas a pensar, mas a praticar uma pedagogia libertária e justa socialmente e que trouxe para o palco da vida e da sociedade todos aqueles que são jogados na coxia.

O que nos leva a resgatar essa discussão, que foi levantada por Paulo Freire há algum tempo (1993), é o fato de estarmos vivenciando um momento histórico em que a qualidade da educação se mostra cada vez mais comprometida. Por isso, a necessidade de contribuir com a reflexão sobre a prática pedagógica dos educadores.

VOLUME 12, NÚMERO 22 - p. 151-154, jan.-jun. 2006

OS MENSAGEIROS DA ETERNIDADE...
(Por André Aquino)
Nós, os sensíveis, temos a luz brilhando dentro de nós. A nossa sabedoria muitas vezes pode ser confundida com a loucura, por pessoas de mentira... por aquelas pessoas que vivem presas a um mundo automático. Nós, os sentimentais, os alquimistas, os arrependidos pelos erros, os filhos amados que foram deixados para trás num deserto... Os que têm fé inabalável, os sonhadores, os loucos de amor, muitas vezes já fomos considerados as ovelhas negras da família... mas os nossos sentimentos profundos como o amar... transformaram-nos, aos poucos, em cordeiros mansos que pastam felizes pelos campos verdes... Dentro de nós ardem paixões interiores capazes de derreter qualquer congelador. Nós já morremos incontáveis vezes...já renascemos outras tantas, mais fortes, mais determinados em encontrar a nossa felicidade. Nós, os sensíveis somos invencíveis pelas lágrimas e... imbatíveis pelo sorriso... Muitos de nós, os sensíveis, carregamos na alma e até no corpo, marcas da nossa paixão pela vida. Do mais fraco ao mais forte, do mais bonito ao mais feio. Não somos medidos pela nossa formosura ou pela grandeza do nosso corpo... mas somos admirados pelo poder do nosso coração, pela força que emanamos de dentro do nosso olhar...e as pessoas de mentira ficam sem entender como nós, os sensíveis, conseguimos ter tanto poder! Nós, os sensíveis, estamos aqui para fazer a diferença. Ninguém nos conhece pela superfície... mas pela profundidade dos nossos bons pensamentos. Não somos santos... mas somos anjos. Não somos perfeitos... mas é na nossa imperfeição que mostramos as nossas maiores virtudes. Não é pela casca que queremos ser conhecidos. Queremos um relacionamento íntimo com tudo e com todos os que nos cercam. Podemos errar... fracassar em quase tudo, mas jamais fracassaremos como seres humanos. Somos incompreendidos, porque muitas vezes não sabemos expressar quem somos de verdade. Ainda que o nosso corpo envelheça e fique doente... Nada pode tocar o coração de um sensível senão a mão do Supremo Criador. Nós, os sensíveis... mesmo de longe nos juntamos em espírito num coro, para cantar uma canção que curará toda a pessoa de mentira. Por alguns instantes o mundo parará para ouvir o nosso canto e se apaziguará por alguns poucos momentos... E, por alguns momentos, elas também vão ser sensíveis como nós... quando perceberem que no rosto do outro está o espelho da sua própria face. Nós, os sensíveis, temos o dom de sentir o que os outros sentem... de traduzir os seus pensamentos... porque o nosso coração capta o que os outros corações transmitem... mas nós somos uma brasa viva, no meio da neve... Ou um oásis no meio do deserto Estamos aqui para mostrar aos outros que a alma existe... que a matéria passará… mas que temos vida para todo o sempre. Somos donos da sabedoria universal. Acreditamos num Deus comum a todos seres humanos. Num Deus que habita todas as religiões. Num abraço do sensível... ...está a graça do Universo. Nós, os sensíveis, somos os mensageiros da eternidade...Somos PROFESSORES...
ORAÇÃO DO PROFESSOR
Gabriel Chalita
Livro Educar em Oração
''Senhor, tu me conheces. Sabes onde nasci, sabes de onde venho. Sabes quem sou.Conheces minha profissão: Sou professor. Desde criança, tinha em mim um imenso desejo de ensinar. Queria partilhar vida, sonhos. Queria brincar de reger. Reger bonecos. Plantas. Reger as águas do mar que desde cedo aprendi a namorar. A todos ensinava, Senhor. Criava e recriava histórias para senti-las melhor, para reparti-las com quem quisesse ouvir. Eu era um professor.Fui crescendo e percebi o quanto o sonho era real. Queria ensinar mesmo. Estudei. Conclui o curso universitário. Hoje sou, de fato, um professor. Com diploma, certificado e emprego estável.Hoje não são bonecos que me ouvem, são crianças. Dependem tanto de mim. Do meu jeito. Do meu toque. Do meu olhar. São crianças ávidas de aprender. E de ensinar. Cada uma tem um nome. Uma história. Cada uma tem um ou mais medos. Traumas. Têm sonhos. Todas ela crianças queridas, sonham. E eu. Eu, Senhor, sou um gerenciador de sonhos. Sou um professor. Respeito todas as profissões. Cada uma tem seu valor, sua formosura. Mas todas elas nascem da minha. Ninguém é médico, advogado, dentista, doutor, sem antes passar pelo carinho, pela atenção, pelo amor de um professor. Obrigado Senhor. Escolhi a profissão certa. Escolhi a linda missão de partilhar. A partilho sonhos. Partilho medos. Tenho meus problemas. Sofro, choro, desiludo-me. Nem sempre dá certo o que programei. Erro muito. Aprendo errando, também. Mas de uma coisa estou certo: Sou inteiro. inteiro nas lagrimas e no sorriso. Inteiro no ensinar e no aprender. Sei que meus alunos precisam de mim. E eu preciso deles. E por isso somos tão especiais. E nesta nobre missão de educar, nossa humanidade se enriquece ainda mais. Sou professor. Com muito orgulho. Com muita humildade. Com muito amor. Sou professor! Amém!''